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sexta-feira

12

dezembro 2014

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“Seu cabelo é seu?” – Letícia Novaes e seu hairdrama ou e sua juba.

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eu por laila oliveira

Por Letícia Novaes

eu por laila oliveira

Das perguntas que mais ouço na vida, uma delas é: “seu cabelo é seu?”
Isso porque sou dona de uma juba, das mais cheias e grossas que qualquer cabeleireiro já tocou. “Menina, isso aqui é um baita d’um pau grosso”, já ouvi de alguns profissionais mais informais, risos.
Minha bisavó Altamira era negra, minha vó é Régia é morena, meu pai é moreno também, eu vim branquela infelizmente, mas meu cabelo puxou a família paterna. Por isso quando perguntam se meu cabelo é meu, tenho vontade de responder “Não, amor, é da África”.

cabelinhoNa infância, minha mãe contornava o volume cortando curtinho mesmo. Nas fotos, pareço um abajour. Depois veio a juventude e para meu terror, não tinha jeito ou coragem. E morando no Rio de Janeiro, foi por aí que entendi que prender o cabelo é um oásis. Para o calor da nuca, para arregalar mais a cara (não sou do tipo que fica bonita com cabelo na cara, franja etc).
Com quase 20 e poucos, comecei a relaxar meu cabelo. Me pareceu bom, pois o cabelo continuava com volume, mas um pouco mais domado na raiz. Meu cabelo nunca formou cachos, apenas volume bethanesco. Em 2008 fiz um programa de turismo para o site da Oi. Pediram pra mexer no meu cabelo, deixei. Fizeram escova progressiva. Foi uma sensação demente. Eu acordava com os cabelos lambidos na cara. Dormia, acordava, o mesmo cabelo. Não curti. Prático? Ok. Mas sem opção. Gosto de ter o cabelo desconjuntado e vez ou outra arrumá-lo, escová-lo, enfim. Variações.
Cabelo é poder, aos poucos fui entendendo. Quando eu solto o cabelo no show, rola uma comoção, é divertido. Uma vez saindo de um taxi, o motorista, que quase não tinha se pronunciado, me disse: “Ei, menina, não corta o seu cabelo nunca, hein!”. Espíritos, eu pensei. Risos, soltei.
Já quase cortei curtinho, mas meu rosto é pequeno (apesar do nariz ser grande), e sendo muito alta e magra, fiquei com medo de parecer um fósforo. Por enquanto ainda não veio aquela coragem louca de radicalizar, e eu gosto, gosto de ter cabelão, não cuido como eu deveria, vou à praia, amo piscina, não uso boné, nada disso. Mas vez ou outra hidrato e me divirto com o meu querido Rodrigo Bastos, que cuida da minha crina.
Nunca pintei o cabelo. Ele é tão seco e cheio que seria caótica a manutenção. Não dá. Recentemente passei um tonalizante meio vermelhinho para fazer o filme “Qualquer gato vira lata – 2″. É bem leve a cor, quase minha cor natural, meio cobre. É divertido se olhar no espelho e ver outra cor, outra cara, mas não adianta, está no meu mapa: não sou dada à grandes transformações físicas. Inclusive, minha mãe só foi pintar o cabelo com 40 anos, quase obrigada pela irmã e cunhadas. Minha mãe é a mais linda e o comentário de todos é: “Meu deus, Sônia não muda nada, o tempo não passa para você!” Arrisco dizer que o fato dela nunca ter feito nada radical no cabelo tem a ver com isso. Risos. Admiro a coragem das franjas, do rosa, da loucura, mas no meu caso, o barato mesmo é manter a juba, cultivar a crina, cortar beeem pouco, vez ou outra nem lavar pós praia, dormir e achar que virou alga. De repente mais velha, tomo coragem e ouso mais, por enquanto é isso. Juba louca, juba própria.

Mais fotos!

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